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| Os serviços públicos e privados de saúde no Brasil são considerados regulares, ruins ou péssimos por 93% da população.
A TV Globo, sinceramente, dá
cada vacilo que Deusulivre! No Jornal Nacional de ontem anunciou que nesta
terça feira, no Jornal Hoje, exibiria os resultados de uma pesquisa do Datafolha revelando que
mais de 90% dos brasileiros reprovam os serviços de saúde que são prestados no
Brasil, sejam federais, estaduais ou municipais, públicos ou privados. Concentraram
a reportagem na demora enorme para o atendimento, marcação e realização de
exames e, principalmente, cirurgias que poderiam salvar vidas. E mostraram entrevistas
com várias pessoas relatando casos de esperas de até onze anos por uma cirurgia
e outras mazelas que tais. Não apresentaram solução. Parece que ninguém a tem
neste vasto país. A não ser o famoso mais recursos para a saúde.
Mas aí é que entra o vacilo:
esqueceram de entrevistar a nossa Senadora, candidata do PT, que,
coincidentemente, no jornal do sem votos de hoje, criticou os serviços de saúde
de Roraima. Como sempre mostrou-se muito preocupada (ela e as torcidas do Flamengo,
do Corinthians e do Santa Rita de Alagoas, time brioso que passou para as
oitavas de final da Taça do Brasil, que dá mais ou menos 90% da população brasileira). E, como a Globo, contou casos, lamentou-se, criticou, enfim, aquilo que
sempre faz.
Também como sempre faz, esqueceu só de uma coisa: dizer o que fará para
resolver o problema, apresentar uma proposta, uma solução, uma ideia, o que
levou o Governo do Estado a, discretamente, dar-lhe uma chamada, aliás,
estranhamente, publicada na mesma matéria, um fato quase inédito, em se tratado
do jornal-que-todo-mundo-sabe-de-que-lado-está.
É bem capaz de, por conta
disso, o governador Chico e o Senador Romero Jucá não a convidarem para a
inauguração dos 120 leitos, sendo 40 de UTI, que, com recursos viabilizados
pelo Senador, o Governo está implantado na reforma que faz no HGR e que estarão disponíveis em
18 meses. Aí, coitada, ela não vai poder fazer a outra coisa que melhor sabe: sair na foto. Preocupe-se também com isso não, Senadora, o pessoal não lhe ia fazer uma desfeita dessas.
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terça-feira, 19 de agosto de 2014
Por que não entrevistaram a Senadora? Ela está tão preocupada!
Uma senadora muito preocupada encontra um jornal sem limites.
“Pelo posicionamento que um certo jornal ‘necessário’ está adotando nessas eleições, está claro sua opção. Sua candidata é Ângela Portela. Todo santo dia é uma matéria com Ângela criticando o governo do estado. "Ângela critica isso", no dia seguinte, "Ângela critica aquilo", no outro dia é a mesma coisa, e assim seguem batendo na mesma tecla. Deveriam mudar o nome do jornal para "Ângela critica". Eu vejo que está claro o posicionamento do jornal. Optaram em ser adversários do atual governo. Eu defendo a democracia, o direito de cada um escolher o lado que quer defender, mas também parto do princípio que adversários devem ser tratados como adversários."
(Por Marcelo Ribeiro)
Hoje, o jornalista Marcelo Ribeiro, em sua página no facebook, publicou o texto acima, que torna muito atual um post aqui publicado no dia 08 deste mês, dando-lhe, além disso um ingrediente a mais: a constatação de que, como sempre, a Folha não falha, faz a alegria de qualquer comentarista. Só discordo do nobre jornalista numa coisa: a Folha não é um jornal “necessário”, é um jornal necessitado, principalmente de um mínimo que seja de isenção e ética jornalista. Acima, em azul o post do Marcelo que assinaria.. Em seguida, o post, editado e revisto.
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| Oh, céus, oh dor, oh vida... |
Quanto à preocupação, vocês haverão de convir, nunca se viu pessoa tão preocupada. E só (Levante aí a mão quem lembrar de uma proposta, uma ideia, um projeto que faça sentido apresentado pela Senadora) . Agora, então, no período eleitoral, está botando preocupação crítica pelo ladrão. (Aqui, cabe um esclarecimento: como a senadora está expelindo, em volume crescente, suas preocupações pelo, auto-intitulado, jornal do professor sem voto e especialista em dragagens, que fique bem claro que, quando falamos ladrão, nos estamos referindo àquele cano que impede que a caixa d'água transborde. Longe de nós outra intenção).
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| É com esses índios que a senadora devia preocupar-se. |
Preocupou-se com o que não existe. E esqueceu o que existe e grita em nossas caras todo dia: centenas de índios perambulando pelas cidades, com fome. Com isso deveria preocupar-se. E mobilizar a FUNAI, do PT, e seja lá quem for que possa resolver um problema que foi criado pelo contato. Mas não: diante disso, cala.
Agora também está preocupada – que estresse, meu Deus! – porque os municípios de Roraima (como de resto quase todos do Brasil) ainda depositam os resíduos em lixões. É simples: já que está tão preocupada, que tente aprovar umas emendas para conseguir grana para implantar e – atenção! – operar aterros sanitários, coisa cara pra burro. Aí sim, ia poder “parabenizar a sociedade por mais essa conquista”. Só que agora com todo direito de sair na foto, não é mesmo?
sexta-feira, 15 de agosto de 2014
A polícia está nas ruas. Os bandidos, não.
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| Quantidade, tenologia e mobilidade que dão segurança. |
Todo mundo já percebeu a
queda acentuada nas ocorrências policiais. É só assistir a um dos diversos
programas de rádio ou TV dedicados ao assunto. Ou ler qualquer um dos nossos
jornais. Desde que o programa Ronda no Bairro foi implantado, a violência
deixou as primeiras páginas. Embora a Folha de Boa Vista continue buscando
desesperadamente, o fato é que a maioria das manchetes é sobre resolução de
crimes, prisões, apreensão de drogas e traficantes ou desbaratamento de
quadrilhas, assuntos que, convenhamos, não vendem jornal.
Outro dia, no facebook, um
repórter policial estava temendo perder o emprego por falta de assunto. E Bruno
Perez, que apresenta na Band Roraima o Programa Cena do Crime, falava no ar da
necessidade que apresentadores como ele estão tendo de se reinventar, ser
criativos, encontrar novos caminhos. Tirando os inevitáveis acidentes de carro
e moto por absoluta imprudência, o o sangue e o pânico sumiram.
As pessoas não devem estar
dando a importância devida a essa diminuição. Ao contrário da sensação de
insegurança, que mexe com o inconsciente e desperta o medo, a sensação de
segurança não é notada ou valorizada, como se fosse – e realmente é – algo
natural. E hoje os boa-vistenses se sentem seguros. O simples fato de, todo dia, em
diferentes locais e horas, ver a polícia nas ruas lhe passa essa sensação.
Porque sabe que os malfeitores também veem a mesma coisa. E se intimidam. Autopreservação
é instinto natural de todo mundo.
Essa é a função do
policiamento ostensivo, principalmente na quantidade de policiais, tecnologia utilizada
e com a mobilidade que orienta o Programa Ronda no Bairro. Uma solução ao mesmo
tempo simples e óbvia, como são todas as que dão certo. Quando se tem coragem
de ignorar práticas consagradas pelo uso, geralmente se consegue resolver, com
medidas simples e criativas, problemas que a burocracia faz questão de
complicar.
Esse é o princípio básico de
uma gestão eficiente e eficaz na prestação de serviços públicos essenciais. E
isso foi justamente uma das principais reivindicações das multidões que foram
às ruas em junho do ano passado. Pense nisso.
Dilma sumiu! Ou: Nem os petistas querem o apoio da “presidenta”
Do blog de Rodrigo Constantino
A que ponto as coisas chegaram? Depois que Paulo Skaf fez de tudo para não se encontrar com a presidente Dilma e não associar sua candidatura a ela, foi a vez de os próprios candidatos do PT sumirem com Dilma em suas campanhas. Foi o caso de Fernando Pimentel em Minas Gerais, despertando a reação do presidente do PT, Rui Falcão, que disse não admitir a ocultação de Dilma nas campanhas:
O presidente do PT, Rui Falcão, reclamou ontem, em reunião da Executiva Nacional do partido, de um movimento “Pimentécio” velado em Minas: dobradinha entre o candidato petista a governador, Fernando Pimentel, e o candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves. Ex-governador por dois mandatos, o tucano lidera a corrida presidencial no estado com 41% das intenções de voto, de acordo com pesquisa Ibope realizada entre 26 e 28 de julho. Dilma aparece com 31%.
Segundo participantes da reunião, Falcão, que é coordenador geral da campanha presidencial, afirmou ter cobrado Pimentel pela ausência de Dilma no material de campanha distribuído pelo candidato. Ainda de acordo com o presidente do PT, o mineiro negou estar escondendo a presidente e disse que houve um erro na gráfica. Dilma também não é citada no jingle de Pimentel.
O presidente do PT chegou a afirmar: “Estamos vigilantes com nossos candidatos. Não vai ter candidato nosso dissociado da presidente. O partido não vai aceitar isso”. Quando o partido precisa impor a associação de seus candidatos à imagem da presidente da República, do próprio partido, então é porque as coisas estão feias mesmo!
Em 2010, no auge da euforia com o Brasil, produto de estímulos insustentáveis, todos queriam tirar uma casquinha do então presidente Lula. Tê-lo na foto era essencial, e vários candidatos fizeram inclusive montagens usando um estúdio, para dar a impressão de que estavam de fato ao lado do “padre Cícero” da atualidade.
Parece que isso ficou no passado. Hoje, cada vez mais gente, mesmo de dentro do PT, se dá conta de que ter como puxador de votos um governo com rejeição de quase 40% não é das melhores coisas para a campanha. Dilma sumiu! Não vai às ruas, e desapareceu até dos cartazes de seus velhos amigos, companheiros dos tempos de guerrilha. Que trágico fim, não?
Um breve comentário. Pois é. Aqui em Roraima, a candidata do PT finge que faz caminhada pró Dilma, mas só se veste de verde e faz sumir de seu material de campanha o vermelho do PT. Mas não consegue se desligar dos vermelhos do PT que, quem quiser que se engane, darão as rédeas em um cada vez mais improvável governo seu. Até porque todo mundo já sabe que, na remota eventualidade de uma vitória sua, quem assume o senado por Roraima é Nagib Lima, de triste memória na brutal retirada dos arrozeiros.E ninguém quer saber desse homem nos representando. Já basta a que ele submeteu o comércio de Roraima com sua completa inação no caso da greve da SUFRAMA. (Por Marcelo Coutelo)
Um breve comentário. Pois é. Aqui em Roraima, a candidata do PT finge que faz caminhada pró Dilma, mas só se veste de verde e faz sumir de seu material de campanha o vermelho do PT. Mas não consegue se desligar dos vermelhos do PT que, quem quiser que se engane, darão as rédeas em um cada vez mais improvável governo seu. Até porque todo mundo já sabe que, na remota eventualidade de uma vitória sua, quem assume o senado por Roraima é Nagib Lima, de triste memória na brutal retirada dos arrozeiros.E ninguém quer saber desse homem nos representando. Já basta a que ele submeteu o comércio de Roraima com sua completa inação no caso da greve da SUFRAMA. (Por Marcelo Coutelo)
Com 55%, Alckmin é líder isolado em disputa inalterada
(RICARDO MENDONÇA)
O início das atividades de rua das campanhas eleitorais não produziu impacto relevante na disputa pelo governo do Estado de São Paulo.
Pesquisa Datafolha finalizada na quarta-feira (13) mostra que o tucano Geraldo Alckmin seria reeleito no primeiro turno com 55% dos votos, numa situação quase idêntica à da pesquisa anterior. Desde julho, ele oscilou um ponto para cima.
A vantagem de Alckmin em intenções de voto é bastante folgada. Ele tem mais que o dobro da soma de todos os seus adversários juntos.
Em segundo lugar na disputa aparece o presidente licenciado da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Skaf (PMDB), com os mesmos 16% do levantamento anterior.
Enquanto o ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha (PT) oscilou de 4% para 5%, a soma das intenções de voto nos candidatos de partidos menores variou de 4% para 3%.
A margem de erro do levantamento é de dois pontos. Considerando isso, portanto, a situação de todos os concorrentes pode ser considerada inalterada em relação a julho.
O levantamento traz um indício de consolidação da posição de Alckmin: a melhoria de seu desempenho na pesquisa espontânea (quando o eleitor responde em quem pretende votar sem ver os nomes dos concorrentes). Ele passou de 15% para 20%.
No único cenário de segundo turno testado, Alckmin também lidera com folga. Vence Skaf por 63% a 26%.
A pesquisa apurou ainda as taxas de rejeição dos concorrentes. Padilha tem 28%. Skaf e Alckmin estão tecnicamente empatados nisso: 20% e 19%, respectivamente.
quinta-feira, 14 de agosto de 2014
A volta é que faz o anzol. Ou, nada como uma metáfora atrás da outra.
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| Enxergando longe. E lembrando muito bem. |
Quando criança, cortava o
cabelo com um barbeiro muito engraçado, cheio de ditos e frases de espírito
sobre tudo. Certa vez apareceu alguém querendo trocar com ele alguma coisa ,não
me lembro se um rádio ou outra coisa qualquer, por uma bicicleta, algo assim. Conversavam
ambos na porta da barbearia, que dava para uma rua descalça de subúrbio.
Discute pra lá, discute pra cá, negaceia, desdenha, aquelas coisas típicas de
uma boa negociação. Lá pras tantas seu Vadeco pegou uma talisca que estava
afinando com o canivete, riscou o chão com ela e disse: “troco até num risco no
chão, só depende da volta. Porque a volta é que faz o anzol”.
Nunca me esqueci dessa
expressão e vez em quando a uso. Como agora. Depois de ler a coluna de Edersen
de hoje nunca a vi tão aplicável. Sigamos aqui pelos tortuosos caminhos do meu
pensamento. Mal secou a tinta do deferimento das impugnações de Neudo pelo TRE,
mal se esgotou o prazo para que o candidato recorra e os barbudinhos e
desgrenhadinhas do PT já se assanham todos, jurando amor eterno ao
ex-governador, transformando-se em seus paladinos defensores , perdoando suas
dívidas assim como esperam que ele perdoe seus devedores.
Então tá. Vamos combinar que
Neudo e seus fervorosos militantes - é bom não esquecer deles, importantíssimos
na equação - não tem memória, esqueceram tudo o que Flamarion e Ângela lhe
fizeram na eleição de 2002. Vamos combinar que ele vai perder essa grande,
enorme oportunidade de dar o troco que lhe cai no colo de grátis. Vamos
combinar que é um suicida político e vai pular justamente no barco que um dia o
expulsou, que agora já está fazendo água e é useiro e vezeiro em jogar carga ao
mar para se salvar. Já o jogou uma vez. A primeira é sempre mais difícil.
Depois, vira costume.
Melhor combinar que ele é
humano e, como tal, não vai perder essa grande oportunidade de dar o troco e
sair ganhando. Porque sabe, como todo político, que a volta é que faz o anzol.
E que Ângela e Flamarion têm a lhe oferecer pouco mais que um risco no chão,
sem volta. Quase nada para quem tem o capital político que ele acumulou. Agora,
que lhe vai fazer um bem danado ao ego ver esse pessoal se arrastando a seus
pés, mendigando apoio e ofertando o que não pode entregar, lá isso vai. Até
porque, ele sabe muito bem que em política nada é pessoal. Mas pense no trabalho
que dá explicar uma aliança no mínimo bizarra como essa aos seus militantes, todos com memória de elefante.
Fofocas
empresariais.
Em nossa ingenuidade,
chegamos a pensar que as pessoas que não querem se identificar tinham
abandonado o - auto intitulado - jornal a Folha de Boa Vista, onde serviam aos interesses
políticos e à inveja do proprietário, desqualificando qualquer iniciativa bem
sucedida e caluniando qualquer administrador público que mostrasse alguma
capacidade gerencial ou votos, coisas que o nosso professor sabidamente não
tem.
Abandonaram nada: foram
promovidas, viraram empresários. E saem de seus cuidados para, pelo telefone e
sem se identificar, logicamente, fazer fofoquinhas sobre amuos e raivinhas absolutamente
fora de propósito por conta de alguma coisa dita por aqueles cheios de votos em
uma solenidade qualquer ou numa conversa. Tá lá, pra quem quiser ver: as
poderosas antenas parabólicas movidas a válvula, antes uma coluna meramente
falaciosa, transformou-se numa coluna de fofocas.
Nesta quarta feira pariu duas
notinhas em que, na falta de qualquer argumento para desmerecer o imenso trabalho
necessário para conseguir o rebaixamento para médio do risco de aftosa, exala
ressentimento em forma de queixumes e tenta jogar os pecuaristas, justamente os
mais beneficiados pela medida, contra aqueles que a tornaram possível. Só
esqueceram que o riso agora é médio, igual ao do Amazonas. Acabou a quarentena.
E não há fofoca que mude isso. Até
porque empresário avalia o benefício da
medida. Não o que alguém disse ao anuncia-la.
segunda-feira, 11 de agosto de 2014
Na hora de decidir, pense. Na sua vida, no seu futuro, nos seus decendentes, na sua terra.
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| Ela, preocupada, procurou a Folha.. |
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| Ele procurou o BNDES. E resolveu. |
quarta-feira, 6 de agosto de 2014
Vamos falar de índios. Dos pobres e dos ricos. E de quem os usa.
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| Desses ninguém cuida, Já serviram aos seus objetivos. |
Senadora Ângela. Aqui fala Marcelo Coutelo. A senhora me conhece. Mas talvez não saiba que, entre
tantas outras coisas, fui Superintendente-Geral da FUNAI por mais de dois anos,
de 1986 a 1988, no tempo em que existia uma real e séria política indígena
neste país, no tempo em que existia uma política de segurança nacional que jamais
teria permitido, em área contínua e de fronteira, as absurdas demarcações de Raposa
e Serra do Sol e do território maior que o da Suíça em que vivem os ianomâmis que
para lá foram levados. Um território que, estranhamente, a cada estudo ia crescendo
e crescendo até coincidir com a área mapeada pelo projeto Radambrasil (*) e
finalmente ser homologado do tamanho que interessava. Interessante isso, não? Pode ficar
tranquila, eu vi os mapas que se foram sucedendo. Não os conservei, mas não estou inventando nada.
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| Midiático e inimputável: fala o que quer. A esquerda adora. |
E é nessa condição de
ex-Superintendente Geral, baseado em tudo o que vivi e aprendi naquele tempo,
que venho tratar do assunto que hoje parece lhe interessar tanto: índios e seu
bem estar. Vamos falar primeiro desses índios na foto aí de cima, ianomâmis que vagam ao
léu na cidade atrás de comida, sem proteção sem valia, sem nada. Ianomâmis que durante
anos foram levados de um lado para o outro por “missionários” que, para ocupar
a maior província mineral do Brasil e mantê-la intocada, criaram nesses índios
hábitos e necessidades de consumo que eles, quando quietos em sua terra, não
tinham. Mas agora têm. E onde estão seus protetores agora? Gordos e luzidios,
famosos e midiáticos, estão pelo mundo, fazendo discursos para alimentar o
sectarismo de gigolôs de índios, mal intencionados ou inocentes úteis.
O que mais dói é que esses
discursos, em vez de chamarem a atenção para a necessidade de se dar uma
solução definitiva que permita a esses índios, por si próprios, atender suas novas
necessidades de consumo e vida, preocupam-se com uma possível e remota mineração em
área indígena. E se fazem de vítimas. E apontam o dedo e acusam sem provas. É fácil, ele, David Kopenawa, é índio, é inimputável e é queridinho da mídia, pode tudo. E a senhora vai
junto. E acusa também. Afinal de contas, é eleição, vale tudo, não é mesmo?
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| Aqui começa uma aterra de homens independentes... |
Mas, senadora, para falar com
mais propriedade de mineração em área indígena melhor dar uma chegada logo ali,
na área Waimiri-atroari (mas vá cedo se não a corrente não lhe deixa entrar).
Vá e leve um desses barbudinhos da FUNAI. Mas é melhor não levar o pessoal do
CIMI: os índios lá não apreciam muito a conversa deles, depois eu conto por
que. Lá procure duas lideranças, Mário e David, que no meu tempo deviam ter
perto dos vinte e cinco anos mas já negociavam como leões com potências do
quilate da Paranapanema. Veja por si só índios altivos, que não dependem de
ninguém. Índios que começaram a ficar ricos só com os royalties que lhes paga a
mina do Pitinga para usar uma estrada que passa pelas suas terras. E aí
começaram a criar gado, construir suas casas de alvenaria, comprar ambulância,
não depender de saúde pública pra nada... índios que hoje recebem royalties da
Eletronorte (E mais receberão pela passagem do linhão de Tucuruí, neles ninguém
passa a perna) e a cada dia ficam mais ricos e mais independentes. E essa
independência senadora Ângela, não interessa a David Kopenawa. Nem a Cláudia
Andujar. Nem a nenhum antropólogo ou gigolô de índios dos muitos que pululam e vivem
à volta deles. Do sucesso dos Waimiri-atroari, ninguém fala. Melhor falar de
ameaças de morte e de tentativas de invasão. A Imprensa “livre” adora.
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| ...que há tempos negociam como leões. Aqui, um exemplo. |
Raciocine, Senadora, a
senhor é esclarecida, conhece a legislação brasileira sobre subsolo. Ninguém
está tentando tirar o direito dos índios a minerar em suas terras, como a
senhora, inadvertidamente e para atender ao discurso político de seus mentores
do PT, acusa. A senhora sabe que o subsolo é da União, e mesmo proprietários de
terras só podem nelas minerar se a União autorizar. Agora, o que eu gostaria de
saber é como esses índios vão minerar suas terras, uma operação gigantesca e de
risco, se não tem recursos nem para comprar comida. A senhora pode me responder
isso? Enquanto pensa numa resposta satisfatória, lembre-se de puxar as orelhas
do pessoal da FUNAI do PT para dar um jeito na situação dos ianomâmis que volta
e meia vagam pelas ruas de Boa Vista, Mucajaí Caracaraí.... É preocupante.
Ah, sim, antes
que me esqueça, a mineradora que a senhora acusa de estar de olho nas áreas
indígenas só tem um projeto de lavra: exploração de brita. Fora de qualquer
área indígena. Prosaico, não?
(*)O Projeto Radambrasil,
que operou entre 1970 e 1985,
foi dedicado à cobertura de diversas regiões do território brasileiro (em
especial a Amazônia) por imagens
aéreas de radar, captadas por avião. O uso do radar permitiu colher imagens da
superfície, sob a densa cobertura de nuvens e florestas. Com base na
interpretação dessas imagens, foi realizado um amplo estudo integrado do meio
físico e biótico das regiões abrangidas pelo projeto, que
inclui textos analíticos e mapas temáticos sobre geologia, geomorfologia,pedologia, vegetação, uso potencial da
terra e capacidade de uso dos recursos
naturais renováveis, que até hoje é utilizado como referência nas
propostas de zoneamento
ecológico da Amazônia brasileira. (fonte:
Wikipédia)
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